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Superação, autonomia e foco no futuro

De olho em seu futuro, observado pelo visor de uma máquina fotográfica, a jovem de 18 anos, Tatiane Santos da Cruz (ou Tati, como ela prefere), inicia 2015 cheia de expectativa e foco para alcançar seu objetivo: viver para fotografar.

 

Moradora do Jardim Helga, Tati é aluna do Programa de Educação Profissional na Associação Estrela Nova, organização parceira da AlfaSol na região do Campo Limpo, que recebe duas turmas de Empreendedorismo Social, realizado no âmbito do Fumcad.

 

A educanda, que já tinha passado pelo Programa nos cursos de Logística e Turismo no período de 2013/14, volta esse ano a estudar conosco, agora determinada a se capacitar para abrir sua empresa, a Click Marginal, que por enquanto é um coletivo cultural, que surgiu após a descoberta de sua paixão por fotografia.

 

Cheia de ideias, com um estilo próprio e vocabulário articulado, ainda é possível notar um pouco da menina tímida, que num passado recente ainda não sabia qual rumo dar à sua vida. “Quando entrei eu tinha muita dificuldade em estar com o grupo, participar das atividades, conversar, falar de mim, aprender, enfim, certamente não estaria falando com você agora. Isso foi trabalho dos educadores comigo”, conta ela, fazendo referência ao Arley Cunha e ao Fernando Cartago, ambos educadores da AlfaSol, que atuam no Estrela Nova, e que foram importantes para seu desenvolvimento.

 

Mais do que criar especialistas para atuar no mercado de trabalho, o Programa Educação Profissional busca proporcionar aos jovens um olhar amplo sobre as possibilidades de profissionalização, despertando suas paixões e valorizando aptidões que muitas vezes passam despercebidas e não são trabalhadas. “Tudo começou quando eu vi o Arley com uma máquina fazendo umas fotos. Nunca tinha mexido, fiquei só observando. Ao notar meu interesse, ele me entregou a câmera e pediu para eu fazer uns clicks. Eu topei, meio que na brincadeira, sem pretensão, mas acabei gostando bastante. Então ele me incentivou e me deu algumas dicas”, lembra Tati.

 

Integrada à perspectiva metodológica, que é: “conheças o território onde habitas”, a arte de fotografar passou a ser objeto de estudo e ferramenta nas atividades da turma. A educanda conta como isso foi importante para que ela e seus colegas começassem a identificar as peculiaridades do bairro e valorizar a região onde moram. “A primeira vez que eu olhei para esse terreno, aqui em frente do Estrela Nova, foi com um trabalho de fotografia. Nós saímos com uma máquina pela comunidade, fazendo fotos. Lembro que a partir da foto feita por um amigo, nesse terreno, surgiu um projeto sobre Dengue, importante para conscientizar e combater a reprodução do mosquito em nossa comunidade”, relembra.

 

De lá para cá, Tatiane já deu mais alguns passos rumo ao seu sonho; concluiu um curso de especialização em fotografia, e montou com seus colegas o Click Marginal, projeto que visa mudar o olhar que a sociedade tem da periferia, por meio da fotografia.

 

Com o grupo realizou no ano passado oficinas de fotografia com jovens da comunidade, com a proposta de trabalhar alguns conceitos teóricos, abordando técnicas importantes e o funcionamento da câmera, e também exercitando a prática, indo a campo observar o bairro e fotografar paisagens e elementos que mostrem esse lado da periferia que desejam ressaltar.

 

Essas oficinas serviram de piloto para o projeto que o grupo submeteu ao edital da Prefeitura de São Paulo, o VAI (Valorização de Iniciativas Culturais), que aporta recursos financeiros para realização de empreendimentos culturais, e prioriza os que são desenvolvidos por jovens na periferia. “Se formos contemplados, iremos atender pouco mais de 40 adolescentes em duas turmas aqui na região. A ideia é usar a verba para compra dos equipamentos e materiais para viabilizar as oficinas”, explica Tati.

 

Além desse projeto, do qual é proponente, a educanda está envolvida em outras duas iniciativas, também submetidas ao VAI; o Periferia em Alta (blog de notícias periféricas) e Corpo Molde (grupo de dança), provando que realmente venceu a timidez e desenvolveu autonomia para gerir seu futuro. “Quero ter meu próprio negócio, não tenho mais a pretensão de me encaixar no mercado. Agora com essas aulas de empreendedorismo espero dar esse passo e transformar o Click Marginal em uma empresa”, diz ela.

 

Todos esses projetos prevêem atuação em sua comunidade. Questionada o porque dessa opção, ela responde de pronto: “Eu moro na periferia, cresci dentro dela, por que não trazer meus conhecimentos para fortalecer minha região?”

Matéria: Thiago F. Peixoto | Fotos: Tatiane Santos da Cruz 

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